O Oratório de Aurélia

Taisa Lira | Arte, Teatro | Sábado, 28 Junho 2008

Num domingo sem graça, sem cor, e sem ter o que fazer, eis que eu olho pra minha cômoda e vejo um postal que peguei no Sesc da ultima vez que passei por lá. Dizia “L’Oratório D’Aurélia – dias 14 e 15” Hoje era dia 15, e eu de bobeira ali. Porque não, Não? Foi coincidência demais quando meu namorado me ligou e disse “ Tá afim de ver a peça da neta do Charles Chaplin”. Já que estávamos falando da mesma coisa, e ambos na mesma situação entediante de domingo… Porque não, não?

Tanta gente conhecida num mesmo lugar. Gente importante no teatro daqui da cidade. E eu idiota não acreditava que tinha passado pela minha cabeça trocar uma peça daquelas por um cineminha. Eu estava na maior expectativa, e com toda a certeza e convicção ela superou qualquer uma.

Filha e neta de Charles Chaplin, Victoria Thierrée Chaplin e Aurélia Thierrée Chaplin respectivamente encantam do início ao fim. A mãe na direção e criação, a filha no palco. Sem uma palavra, faz você rir, chorar, se emocionar, aplaudir o espetáculo ainda pela metade! Se trata de um mundo todo as avessas, situações improváveis e personagens desconexos. E quase como um show de mágica, tomado pela ilusão, por uma poesia ao mesmo tempo sublime e profunda. Os olhos falam, o corpo desmontável fala. Uma combinação perfeita de efeitos visuais, sofisticadas marionetes, dança e magia circenses, que eleva espectadores de todas as idades ao mundo dos sonhos e do absurdo. Divertido e emocionante.

L'Oratório D'Aurélia

Aurélia mexeu comigo. Pernas, braços, orelhas, olhos, boca, mente. Tudo formigava ao fim da peça. Eu tinha um choro contido na garganta. Não conseguia achar algo que descrevesse tudo o que tinha visto. Ela tinha me feito ver que eu era um Aurélia também. Desconcertada, do avesso, tentando se encaixar no mundo. E por isso eu não conseguia pensar em nada. Faltou ar, faltou chão.

E eu poderia tecer mais rendas e elogios possíveis a esse belíssimo espetáculo. Mas não hesitem, abaixo seguem as próximas datas da turnê Brasil. Deixe-se levar, e pergunte a você mesmo.

Porque não, não?

28 e 29 de junho – Recife, PE, Teatro da UFPE
9 e 10 de julho - Belo Horizonte, MG, Grande Teatro do Palácio das Artes
13 de julho – Rio de Janeiro, RJ, Theatro Municipal do Rio de Janeiro
17, 18, 19 de julho – São José do Rio Preto, SP, Teatro Municipal Humberto Sinabaldi
25 e 26 de julho – Fortaleza, CE, Theatro José de Alencar
3 de agosto – Salvador, BA, Teatro Castro Alves