O Oratório de Aurélia
Num domingo sem graça, sem cor, e sem ter o que fazer, eis que eu olho pra minha cômoda e vejo um postal que peguei no Sesc da ultima vez que passei por lá. Dizia “L’Oratório D’Aurélia – dias 14 e 15” Hoje era dia 15, e eu de bobeira ali. Porque não, Não? Foi coincidência demais quando meu namorado me ligou e disse “ Tá afim de ver a peça da neta do Charles Chaplin”. Já que estávamos falando da mesma coisa, e ambos na mesma situação entediante de domingo… Porque não, não?
Tanta gente conhecida num mesmo lugar. Gente importante no teatro daqui da cidade. E eu idiota não acreditava que tinha passado pela minha cabeça trocar uma peça daquelas por um cineminha. Eu estava na maior expectativa, e com toda a certeza e convicção ela superou qualquer uma.
Filha e neta de Charles Chaplin, Victoria Thierrée Chaplin e Aurélia Thierrée Chaplin respectivamente encantam do início ao fim. A mãe na direção e criação, a filha no palco. Sem uma palavra, faz você rir, chorar, se emocionar, aplaudir o espetáculo ainda pela metade! Se trata de um mundo todo as avessas, situações improváveis e personagens desconexos. E quase como um show de mágica, tomado pela ilusão, por uma poesia ao mesmo tempo sublime e profunda. Os olhos falam, o corpo desmontável fala. Uma combinação perfeita de efeitos visuais, sofisticadas marionetes, dança e magia circenses, que eleva espectadores de todas as idades ao mundo dos sonhos e do absurdo. Divertido e emocionante.

Aurélia mexeu comigo. Pernas, braços, orelhas, olhos, boca, mente. Tudo formigava ao fim da peça. Eu tinha um choro contido na garganta. Não conseguia achar algo que descrevesse tudo o que tinha visto. Ela tinha me feito ver que eu era um Aurélia também. Desconcertada, do avesso, tentando se encaixar no mundo. E por isso eu não conseguia pensar em nada. Faltou ar, faltou chão.
E eu poderia tecer mais rendas e elogios possíveis a esse belíssimo espetáculo. Mas não hesitem, abaixo seguem as próximas datas da turnê Brasil. Deixe-se levar, e pergunte a você mesmo.
Porque não, não?
28 e 29 de junho – Recife, PE, Teatro da UFPE
9 e 10 de julho - Belo Horizonte, MG, Grande Teatro do Palácio das Artes
13 de julho – Rio de Janeiro, RJ, Theatro Municipal do Rio de Janeiro
17, 18, 19 de julho – São José do Rio Preto, SP, Teatro Municipal Humberto Sinabaldi
25 e 26 de julho – Fortaleza, CE, Theatro José de Alencar
3 de agosto – Salvador, BA, Teatro Castro Alves










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